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O Mínimo do Básico: Como a Renda Básica pode combater a desigualdade


Vamos brincar com números? Todo mundo gosta. De somar e multiplicar até chegar do que tem na sua poupança até aquele novo carro ou apartamento que você está querendo. De dividir e ver quantas vezes você pode ir naquele restaurante que você gosta até acabar o seu VR. De subtrair e descobrir quanto dias úteis terá o ano sem contar os feriados e quanto dias faltam para as suas férias.

Então, vamos lá: quantos meses terá que trabalhar alguém que ganha um salário mínimo para ganhar o que você ganha? Quantos anos essa pessoa terá que trabalhar para pagar os juros no empréstimo imobiliário que seus pais pegaram para financiar a compra daquele sítio bonitinho no interior?

Existe uma chance em 10 que seus pais, seus sogros ou mesmo você, tenha pego aquele financiamento no Itaú Unibanco. Pouco mais de 12% dos 207 milhões brasileiros eram correntistas lá em 2016, de qualquer forma. Ou talvez um de vocês até trabalhe lá. São mais de 90 mil funcionários. Esses são 0,1% da massa de trabalhadores e, provavelmente, ficarão felizes em saber que, não importa quão ruim a situação por lá, eles estão melhor que 50% dos outros trabalhadores do país. Segundo o IBGE, 50% dos 88,9 milhões de trabalhadores ganham menos que um salário mínimo.

Só pra lembrar, o salário mínimo é R$954. 44,4 milhões de pessoas ganham em média menos de R$750 cada. Segundo o jornal independente Nexo, um pouco menos de 128 milhões de pessoas ganham mais que o salário mínimo no Brasil. Os 90 mil que trabalham para o Itaú estão aí no meio. Tem funcionários desse banco que estão em outra faixa numérica interessante. Se você ganha, como alguns deles ganham, acima de R$12500 por mês, você faz parte dos 1% mais ricos do país. Parabéns.

Mas você, que está vivendo bem com mais de R$13 mil pingando na conta todo mês, não é rico. Você sabe disso, né? Rico, rico mesmo, é um outro funcionário do Itaú Unibanco. Porque você, meu amigo, no fim do mês, tá pondo no bolso 13,6 salários mínimos. O mais alto executivo do Itaú embolsa 3573 salários mínimos por mês. R$3,4 milhões.

É isso aí. O funcionário do Itaú Unibanco que ganha um salário mínimo vai ter que trabalhar 298 anos para ganhar o salário de junho do chefe. Você que ganha R$13 mil, que tem menos de 2,2 milhões de pessoas no país ganhando o mesmo ou mais do que você, vai ter que trabalhar 22 anos. Serão mais de 262 anos até você juntar o que esse cara ganha em um ano. Perdeu a graça a brincadeira dos números? Bom, tudo bem, não vale ficar bravo. Pode pensar que o salário anual desse cara dá mais de 3572 anos de trabalho para alguém que ganha o salário mínimo atual.

Quer ter uma ideia real de quanto tempo é isso? Se um cara fosse pago $954 por mês para construir Stonehenge, ou se ele tivesse começado a trabalhar durante o reinado de Amósis I, faraó do Egito antigo 1200 anos antes da chegada dos romanos, ele estaria terminando de juntar os $40,9 milhões esse ano.

Mais uma continha divertida? Vamos supor que um governo civilizado ache que realmente é descabido que um executivo ganhe mais do que 100 vezes o que o mais mal pago funcionário da sua empresa ganhe. E que esse mais mal pago dos funcionários ganhe um salário mínimo. Portanto, esse governo vai taxar em 65% todos os rendimentos do executivo acima de 100 salários mínimos. Veja, o cara do Itaú nesse cenário ainda iria embolsar R$ 1,252 milhão. E o que ele pagaria de imposto poderia ser redistribuído como renda básica para mais de 2 mil pessoas, ganhando um salário mínimo cada. Quer pagar menos imposto, tem que diminuir o gap de salário entre você e os seu funcionários? 

Não foi uma brincadeira legal. Isso se chama combate à desigualdade e concentração de renda e riquezas. É uma brincadeira vital para a sobrevivência da nossa sociedade. Precisamos levar essa ideia cada vez mais em consideração.

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